quinta-feira, maio 04, 2006

Hoje eu escutei uma historia no rádio assim:

"Eu e Augusto nos conhecemos desde a adolescência, começamos a namorar quando eu tinha apenas 17 anos. O namoro era sério, eu era completamente apaixonada por ele. Éramos um casal perfeito, pois nossas idéias eram as mesmas, os gostos, as músicas...tanto que, no meu aniversário de 18 anos, Augusto me levou ali, debaixo da árvore onde costumávamos nos sentar todas as tardes, sim, aquela árvore onde com o canivete escrevemos as nossas iniciais no começo do namoro. Foi ali que ele me pediu em casamento. Que dia feliz!
Eu aceitei obviamente e logo o pedido foi oficializado aos meus pais.
Nos casamos um ano depois e fomos morar com minha sogra. (se a historia fosse minha, com certeza aqui ela mudaria de rumo, mas eu só tou contando o que eu escutei) - mas aquilo não era pra gente, afinal quem casa, quer casa. Vendo a situação, Augusto alugou uma casinha pequena e assim que nos mudamos, ele perdeu o emprego. Pensei que estivessemos arruinados agora, mas com o dinheiro que recebeu, ele comprou um carro e começou a trabalhar como taxista. No final, acabou sendo melhor, pois a renda como taxista era maior e nossos gastos cresceriam bastante dali pra frente, pois eu estava grávida. Sim, grávida! Augusto ficou radiante quando lhe dei a notícia, e em dezembro de 1982 nascia Lucas, nosso unico filho.
Ele pegou a criança no colo e gritava, urrava pros 4 cantos que aquele era o dia mais feliz de sua vida. Que ele era um homem feliz e realizado, que tinha a melhor mulher, a melhor vida (e tudo aquilo que os recém-papitos patéticos dizem, tsc tsc... tááá isso foi por minha conta)...bem, voltando...
Eu era uma esposa e uma mãe muito dedicada, tudo sempre estava na mais perfeita ordem dentro de nossa casa, nosso filho sempre arrumado e bem educado. Augusto não tinha o que reclamar de mim, mas um dia eu senti um cheiro diferente em sua boca. Sei lá, parecia um perfume desconhecido em sua pele, porém tratei de tirar aquela ideia da cabeça, acho que era ciume bobo, coisa de quem é feliz e tem medo de perder.
Porém Augusto mudou seu comportamento, atrasava-se com frequencia para o jantar e sempre com aquele cheiro estranho...pensei então que deveria lhe fazer uma surpresa: naquele mês seria seu aniversário e eu lhe faria um belo jantar, bem romantico.
Me arrumei toda neste dia, deixei o Lucas com meus pais, pois queria que fosse um momento único, o momento da reconquista, momento de olhar nos olhos e nada dizer. Isso realmente teria sido fantástico SE Augusto tivesse aparecido. Esperei, esperei, esperei e nada. Começaram a passar pela minha cabeça as maiores desgraças do mundo, imaginei meu marido envolvido em algum acidente, ou sequestrado, ou...Deus do céu, eu não podia ficar ali parada enquanto ele estava em apuros!
Fui correndo feito doida, às 4 da manhã até a casa dos meus pais. Chorando desesperada, acordei meus pais e contei o ocorrido. Meu pai me disse que eu deveria me acalmar, que parasse com aquele escândalo e que meu marido estava na casa da Joelma (não, não era a do Calypso) e que se eu duvidava da palavra dele, era só ir até a casa dela...o bairro inteiro sabia...
Augusto apareceu apenas no outro dia, de manhã bem cedo. Uma cara de desconcertado, vi ali minha vida, naqueles olhos que não ousavam me encarar. Ao invés de repudia-lo, de brigar, fiz o contrário: abracei meu marido com toda minha força e num soluço ainda apaixonado disse que mulher nenhuma iria nos separar, que eu não iria permitir que alguém arruinasse minha felicidade. Ele me pediu desculpas, disse que foi uma falha enorme, mas que queria muito reconstruir nossa felicidade a partir daquele momento. E fomos ainda mais felizes pelos anos que se seguiram...
Nosso filho crescia e só nos dava alegria, nossa familia forte, unida, ele trabalhando cada vez mais dedicado ao lar e eu também, já acostumada aos horarios dele, deixava sempre o jantar preparado às 7 da noite, pois era costume de Augusto jantar assim que colocava os pés em casa.
Porém um dia, sem mais nem menos, meu marido se atrasou. Pensei que talvez tivesse pegado um cliente de ultima hora, uma corrida longa quem sabe...fato é que já eram onze da noite e meu marido ainda não havia aparecido. Liguei então no ponto de táxi, onde outros colegas poderiam me dar noticias do que poderia ter acontecido. Disseram apenas que Augusto deixou o ponto às 18:45, assim como fazia todos os dias e não estava fazendo nenhuma corrida e sim indo direto pra casa.
Meu mundo desabou pela segunda vez. Sim, de novo ele caiu na tentação, mas agora eu não perdoarei, seja Joelma, seja a vagabunda que for, não quero mais saber! Amanhã cedo qdo ele resolver aparecer, direi-lhe tudo o que está entalado em minha garganta! E nesta noite fui dormir chorando.
De manhã cedo, como era de se esperar, um carro estacionou em frente nossa casa. Ah, mas eu ja sabia exatamente o que dizer ao safado do Augusto! Mas tocaram a campainha...será que alem de tudo ele perdeu as chaves?
Eram policiais. Perguntaram se eu conhecia Augusto e eu respondi que sim, um pouco assustada. E eles não tiveram dó ao pronunciar tais palavras:
-Seu marido morreu ontem, num acidente de carro, por favor a senhora nos acompanhe até a delegacia e ao IML para fazer o reconhecimento e pegar os pertences do falecido. Sentimos muito."

Rádio AM serve pra isso.


Love,

M.

2 comentários:

O pessimista disse...

Essa foi looonga.

Uma conclusão de antes mesmo do texto: a fidelidade é uma farsa.

Durma-se com isso!

Sunset disse...

POK!
Antes fosse a tal Joelma..
minhas condolências