terça-feira, agosto 24, 2010

00:55

Hoje eu fui na nutricionista, fiquei preocupada com o lance do colesterol alto. Depois de muita conversa, ela tirou minhas medidas e fez um exame não sei do que onde o aparelho deu o seguinte resultado: 28% de gordura no meu corpo.
Ela disse que dadas as devidas proporções, ter 28% de gordura é um lance alto e preocupante pra mim. Em seguida ela disse que eu tenho que ganhar peso e que eu sou uma falsa-magra, mas essa última eu já sabia pq eu tinha um namorado que me chamava assim... bah, que seja...
Daí vem a parte em que ela me 'aconselha' a comer fibras, beber água (ou chá verde) e dizer adeus às frituras e ao refrigerante. Me retorci na cadeira, essa mulher quer me matar! Ok, pra baixar o nível de colesterol vale tudo.
Semana que vem eu volto pra buscar o cardápio e receber as instruções da dieta, coisa que deve durar pro resto da minha vida. Então, já que eu vou casar com um cardápio de magro, será que eu mereço uma despedida de solteira regada a bacon e coca-cola?
De resto, tout va bien. Acabei de receber a ilustre visita de Felipe e Jon aqui em casa, que saudade daqueles dois. Tou feliz pelo Jon, vai casar em novembro, estava todo empolgado contando sobre os preparativos (e meio de saco cheio tbm, como todos os noivos...hahaha) e o Felipe com suas idéias de ir morar no meio do mato, num lance totalmente 'para o mundo que eu quero descer'...na hora eu ri, mas sabe que a idéia dele é boa? Às vezes me dá vontade de ir morar beeem longe daqui também viu...
E agora tá bem mais divertido aprender francês, tenho um professor muito simpático e fofo via Skype, na real a gente fez uma troca: ele me ensina francês e eu ensino português pra ele. Claro que no meio disso tudo rola uma bagunça e as tirações de sarro são inevitáveis, mas vale a pena, afinal aprender com um nativo é muito melhor (tirando o sotaque, isso eu não vou perder nunca). Meu professor se chama Alexis, tem 25 anos e é canadense. Além dele, eu ainda converso com outras pessoas em francês, mas a pérola dos meus contatos é sem dúvida o L, da Bélgica. Pensa num cara retardado, uma mistura de Sid Vicious com aquele seu vizinho que não toma banho, então, é o L. É o mais velho dos meus amigos (ele tem 31) e se eu passar 24 horas conversando com ele, são 24 horas de risada (e um tantinho assim de putaria, pq o cara é safado!). Outro dia eu dei uma bronca nele por causa das gracinhas e uns 5 minutos depois ele me envia um email com uma florzinha....hahahahahah...só não ponho foto dele aqui pq ele não deixa, amigos em comum, sabe como é...
Tou feliz que eu e o Açúcar nos reaproximamos, tava com saudade dessa pessoa na minha vida. Eu era tão apaixonada por ele que nem pensava direito, hoje as coisas são diferentes, mas o carinho é o mesmo. E recíproco.

Agora vou aproveitar minha noite de folga da melhor maneira possível: dormindo na minha cama!
Boa noitch parra vôse (como diria o Alexis...hahahaa)

M.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Leçon 1: Prepare-toi!

Faz tempo que eu não escrevo... é que tou com os preparativos das minhas férias, daí parece que todo tempo livre ainda é pouco.
É engraçado, pq quando eu tou metida numa idéia, parece que o mundo exterior simplesmente evapora. Não esqueci dos amigos (conforme reclamações...hahah seus lindos), só que tou ocupada agora fazendo um lance que é só meu. As pessoas entendem...quem não quiser entender, paciência né? Minha fase de mimimi pra marmanjo já foi.
Tou meio de bode por causa da minha convocação pra trabalhar no Hospital do Servidor Público JUSTO AGORA faltando 2 meses pra eu sair de férias. Quer saber? Não vou aceitar o cargo não, deixa pra quem precisa trabalhar... e depois eu faço outro concurso e passo de novo, já passei 4 vezes, certamente passarei mais algumas até definir onde eu fico pro resto da vida. Ihh...isso vai longe...hahaha

Ultimamente tenho estudado tanto francês que meu cérebro tá travando. Eu passo o dia inteiro tentando pensar e formular frases de TUDO, oui quelque merde est un motif pour essayer de traduire! Talvez ano que vem eu vá pra França nas férias pra fazer um curso daqueles que a gente fica chez une famille, alguém quer ir comigo?

Por hora eu me divirto horrores no buzuu.com que é um site de aulas de idioma bacaninha com direito a correção de exercícios por nativos da língua (adoooro corrigir exercícios de português dos amigues gringos).

Depois eu conto mais, vou dorme agora.

à bientôt!

segunda-feira, julho 12, 2010

02:11 AM

eu tava encostada ao lado do relógio de ponto lá no hospital, esperando 3 minutos pra passar minha digital e ir embora depois de mais um plantão. Daí pra passar o tempo comecei a conversar com a Rê:
- Olha a menina do gesso chegando agora pra trabalhar
- Que inveja, ela dormiu a noite inteira e nós aqui Mel!
- Sabe que, pode ser que hoje ela tenha muito mais trabalho do que nós tivemos à noite sabe? Pq pense que, neste momento existe alguém com um braço inteiro e que irá se tornar um braço quebrado e ela irá engessar, ou pelo menos vai ajudar o médico a engessar.
- Credo!
- Imagina Rê, quantas pessoas estão com suas pernas e braços intactos agora e que daqui algumas horas estarão passando por esse corredor, carregando um raio-x e aprendendo a usar muletas e tipóias...
- Melissa, vc é doente.
- Não! É a verdade e isso tbm pode ser usado positivamente sabe? Acontece que...
- Não quero ouvir mais, passa o dedo aí que já deu 7h. Você precisa é dormir.

É verdade, aquela hora eu realmente precisava dormir, mas não consigo parar de pensar nesse lance de que aquilo que tem que te acontecer, vai acontecer e pronto e que nem sempre tudo é circunstancial.

Ops ops, tá rolando uma confusão mental aqui, vou tentar organizar isso e depois volto a escrever sobre o assunto. Ou não.

PS: Não quero quebrar o braço nem a perna amanhã.

segunda-feira, julho 05, 2010

11:47PM

Pois é, quando a gente pensa que não...

Hoje eu fui ao mercado comprar pão integral e requeijão pq é uma das poucas coisas que eu gosto de comer de madrugada e que não me fazem mal. É uma delícia: passar manteiga na fatia do pão de forma integral e colocar na frigideira. O pão fica crocantinho e depois tu mete uma bela colherada de requeijão por cima dele e rá, taí seu lanche das 3:30 da manhã. Claro que eu complemento com coisas que combinam muito, tipo chá, café com leite ou uma mexerica (a mexerica é por conta da minha lombriga Giselda), mas isso nem é o mais importante. (Sorry Giselda)
Importante foi encontrar o Sick boy (ok, o nome dele é Alexis)e o Caio no mercado depois de muitititissimo tempo e nossa, eu fiquei tão feliz de um jeito que surpreendeu até a mim mesma... não sei explicar, é como ele mesmo disse, é como voltar aos velhos tempos.
Tenho saudade de tanta gente e no fundo eu vinha torcendo por um acaso, por uma surpresa feliz que TCHANÃ, aconteceu. =)

Coisas simples que fazem a gente ficar feliz, que não tem dinheiro que pague.
Acho que vou brincar de DeLorian essa semana =)

Luv,

M.

quinta-feira, julho 01, 2010

08:31PM

Telefonema feliz: minha habilitação está pronta, posso buscar amanhã.

Pessoas de juízo, saiam das ruas.

* * *

Cheguei da rua agora, encontrei o Bibih e ele me disse que fará aniversário na próxima terça. Pra variar estarei trabalhando, mas tentarei encontrá-lo no final de semana seguinte. Ainda devo o mesmo ao Catto, faltei na apresentação digníssima que ele fez no SESC Pompéia e agora passo horas babando nos vídeos que a galera fez do show. Preciso dar os parabéns de perto, me sinto abençoada por ser amiga de alguém com tanto talento e sensibilidade como ele. Clap clap pra você, mon amour!
Essa semana o Tiago comemorou suas 29 primaveras no Alberta#3 e eu não fui de novo. Caralho, como sou furona, mas é a realidade de quem trabalha à noite, ou seja, uma merda. Outro dia eu tava lendo um artigo a respeito dos trabalhadores noturnos e consta lá entre os principais prejuízos o afastamento de parentes e amigos (por razões óbvias, já que tá todo mundo dormindo na hora que eu tou acordada né?) e isso pode até levar à depressão, daí fiquei com um medo tão grande que passei a não dormir mais de dia, ou tento dormir umas 3h (das 9h às 12h) e deixo pra dormir o resto do sono à noite (quando eu tou em casa, claro).
Dormir 4 vezes por semana, tentar ficar acordada nos outros 3 dias e ter que agendar horário pro próximo descanso. Tô fudida.

segunda-feira, junho 28, 2010

4:32 PM

Jogo da Copa, Brasil ganhando e eu aqui, de pijama em plena quatro da tarde de segunda feira, escrevendo no blog. Como dizem os amigos gringos "fake brazilian!"...hahah

Na verdade eu não ligo pro jogo, não ligo mesmo. Ligo pro dia bonito que tá fazendo lá fora e eu ainda aqui de pijama, eu devia usar o tênis novo pra dar uma volta já que comprei com a intenção de andar. Daqui a pouco eu vou mesmo.

Eu ligo de verdade é pras minhas férias, desce o mundo que eu quero parar (ou seria o contrário?) e da maneira como as coisas mudam de importância. Assim, sem mais nem menos, bem mais leve do que eu achei que seria.

Tanta coisa que eu nunca tinha imaginado pra mim agora aqui, tão ...

Vou dar uma volta, outro dia eu termino.

Luv,

M.

segunda-feira, abril 26, 2010

de novo

Toda vez que eu penso em escrever aqui, eu mudo de idéia e vou fazer outra coisa.

Queria contar tudo, mas então...mudei de idéia.

beijo.

segunda-feira, março 22, 2010

mudei de idéia.

Vou lá fora fumar um cigarro, depois eu volto.

quarta-feira, março 17, 2010

02:21 am

Hoje eu procurei um ovo de páscoa Kinder. Queria um daqueles que vem com surpresa de meninas, igual eu vi na TV, mas não tinha na Loja Americana...amanhã eu procuro no mercado. Aí eu comprei outras coisas, comprei a segunda temporada do Will & Grace e o CD do Cazuza que o Paulo tanto me pediu.

"adoro um amor inventado..."

Então, não sou só eu que penso assim, que bom.

Não mencionei que comprei dois livros né? Um dele é do Graham Greene, aquele autor que é estudado nas aulas do Donnie Darko. O outro é do Arnaldo Jabor pq eu não tenho vergonha de ser clichê.

diálogo:
eu - Adoro isso que a gente tem...como é mesmo o nome?
Chock - Nome de quê?
eu - disso que a gente tem. Acho que é empatia... ou seria simpatia?
Chock - acho que é empatia mesmo... antipatia é quando a gente não gosta...
eu - Se antipatia é quando a gente não gosta, empatia é quando a gente gosta! E simpatia é macumba né?
Chock - simpatia é macumba, claro.
eu - vem, vamos dançar.

Amanhã vou no shopping com o Wal. Adoro aquela pessoa.
Ele estará incumbido da função de me ajudar a escolher botas. ele ainda não sabe disso, mas vai adorar...hahahahaha... Depois disso vamos ver o filme do DiCaprio e encher a cara de pipoca e refrigerante. (L)

E que venha o sábado!
[Eu voto no Lajota, mas como todo mundo sabe, qualquer alegria me diverte]

Luv,

M.

sexta-feira, março 12, 2010

Last Martini.

Chega uma hora na vida em que você descobre: Quem interessa, Quem nunca interessou, Que não interessa mais.... E quem ainda vai interessar. Portanto, não se preocupe com quem já fez parte do seu passado; há um motivo para não estarem no seu futuro. -- ''Jonatas Coghetto"

O resto não faz mais sentido nenhum.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

10:06 pm

Existem pessoas que fazem a gente se encontrar, outras fazem a gente se perder.
Eu me casaria com alguém que conseguisse fazer os dois.

Eu sei, falei ainda hoje que demoraria a postar no blog, mas tive esse pensamento durante o banho, lavando a cabeça com shampoo e não consegui guardar só pra mim. Acho que a espuma foi além dos fios, talvez tenha levado para o ralo alguma coisa que me escondia essa verdade no subconsciente. Descobri algum motivo onde até então eu não via nada.

Pensei nisso e fiquei feliz, sorri e senti o gosto do sabão entre os dentes.

(...)

Poderia falar horas sobre isso, mas não vou além.
O resto é só meu.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

RSVP

Eu tinha escrito todo um texto enorme sobre coisas e pessoas e apaguei tudo pq você quebrou as minhas pernas.

eu poderia não responder mais, mesmo pq em um monte de coisas eu não tenho nada a ver com você, mas vc me cutuca, me instiga, descobre coisas sobre mim como ninguém nunca fez.
Vc admite, e isso faz vc ficar insuportavelmente parecido comigo, vc ADMITE, numa época em que admitir é fraqueza, que ninguém admite nada.
A ordem é fugir, mas eu não consigo seguir essas regras, nem vc consegue.

Você leu muito sobre o que eu era, sabe um tanto sobre quem eu sou, mas será que vc sabe o que eu quero daqui pra frente? Você disse que eu sou do tipo que enjoa fácil (volúvel?), mas eu não conheço ninguém que não seja, vc conhece?

Acontece, meu caro, que aos 30 anos a coisa muda, vc sabe disso pq temos a mesma idade. Não dá pra continuar maluquinha e desapegada, a vida PEDE mais e eu QUERO isso pra mim, portanto não tire conclusões precipitadas.

Você se identifica comigo pelos mesmo motivos, somos dois arrependidos, tivemos a sorte grande na mão uma vez e não aproveitamos, já rodamos consultórios psiquiátricos e tomamos remédio pra depressão como se fosse balinha, descemos ao inferno 150 vezes por dia e voltamos em todas elas com o sarcasmo que nem o capeta seria capaz de ter. A gente procura um amor que não existe e divide essa dor, sabe meu bem, a dor une muito mais as pessoas do que o amor. Os atormentados se atraem, ou vai me dizer que você tem algum amigo com todos os parafusos? Vai me dizer que vc não morre de tédio diante de uma pessoa "normal"?

de qualquer maneira, nós dois sabemos que a magia disso tudo está na distância. Meu nome mora na tua boca só enquanto vc não pode pronunciá-lo numa distância em que eu possa ouvir.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

CPTM

No trem, dois caras conversando do meu lado. Um mostra o mp3 pro outro e diz:
- Olha que música foda!
- É mesmo, quem canta?
- David Coverdale...
- Ah é, não conheço
- Ele era vocalista de uma banda aí, acho que era o Simple Plan

Então...

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

00:13

Tudo acontecendo ao mesmo tempo, sinto o ar faltando, meu espaço acabando e é uma coisa que não dá pra conter, é como uma avalanche. O grande problema é que avalanches não costumam parar bonitinhas e macias, mas sim com uma bela trombada em algum lugar duro, numa pancada de lascar.

Tem tanta coisa que eu queria dizer, mas não conseguiria, eu choro quando fico nervosa e engasgo com aquele soluço infantil e ridículo. Às vezes eu penso que podia ser mais fácil ou pelo menos não tão complicado, outras vezes eu penso que já passou da hora de ir embora. Não sei, não sei...

Aparece gente de todo canto, gente que eu conhecia, que eu não conhecia, que eu vou continuar não conhecendo. Gente que ficou muito próxima tão rápido e do mesmo jeito que veio, foi embora. Gente que não quer ir embora de jeito nenhum, gente que eu não quero que vá, mas que vai mesmo assim. E tem gente que me faz sentir em casa quando tá perto, sabe? tão certo e tão errado.
É, acho que tou filosófica demais hoje.

Fiquei doente esses dias, nem fui trabalhar no domingo a noite, muito menos fui pra faculdade, mas amanhã eu tenho que acordar cedo e encarar minha vida de frente.

De novo. =)

sábado, janeiro 30, 2010

morte.

Eu vi um homem morrer na minha frente, semana passada no pronto-socorro. No meio do burburinho da RCP, ouvi coisas como "ele bebeu", "afogou", "perdeu". Devia ter uns 30 anos (a minha idade!) e sim, tinha cara de bêbado. Eu saí da sala de emergência antes dos médicos atestarem o óbito, mas soube que o cara tinha morrido pelos gritos de dor da mãe dele, que eram idênticos aos gritos de dor daquela gestante que faltando uma semana para o parto, teve óbito fetal. Gritos de mães que perdem seus filhos são iguais, independente da idade ou da maneira que morreram, podem acordar um quarteirão inteiro, não pelos decibéis, mas pelo desespero agonizante que não se parece com nenhum outro tipo de choro que eu já ouvi na vida.

Mãe é mãe né.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

um conto curto.

Melissa chegou as seis em casa. Jogou um cigarro na pia só pra ouvir o breve som agonizante da chama que se apaga. Pensou que a vida era como a chama do cigarro, mas afastou rapidamente qualquer outro pensamento funesto. Eram seis da manhã, seis da manhã, e tudo que restava era o prazer que talvez ela pudesse proporcionar a si própria.
Pegou seu celular e tentou olhar a vida sob os olhos míopes do aparelho. Era escuro como uma rua sem saída, como a viela infinita dos seus sonhos. Neles, ela corria com os sapatos nas mãos nessa viela de cascalho. Preferia não dormir a ter que sonhar novamente com a porra da viela.
Encheu o bule de água. Ia fazer um café pra não ter que sonhar hoje. Pegava às sete e meia no trabalho, se caísse no sono fatalmente faltaria. Infelizmente, não havia pães na despensa – um armariozinho sobre a pia. Comer talvez fosse o grande erro, assim como passar a noite enchendo a cara e agüentando cantadas furadas na mesa do bar.
Durante esses anos todos, chegara a conclusão que nenhum homem era sincero, nenhum deles admitiria que só queria sexo. Por que preocupar-se? Por que não jogar o jogo? O bule chiava. Encheu um coador de café em pó enquanto aquele cheiro espalhava pela cozinha. Passou o café letárgica, sentou-se à mesa, virou no copo até a boca, adoçou e adormeceu pra sempre.

Francisco Orlandi Neto

Saudade de vc Chico.

quarta-feira, janeiro 06, 2010

trecho.


"Ele tinha consciência de que não a amava. Casara-se porque gostava da sua altivez, sua seriedade, sua força e também por um tico de vaidade, mas enquanto ela o beijava pela primeira vez teve a certeza que não haveria nenhum obstáculo para inventar um bom amor. Não falaram a respeito nessa primeira noite em que falaram de tudo até o amanhecer, nem falariam nunca. Mas de um modo geral, nenhum dos dois se equivocou."


Gabriel García Marquez (O amor nos tempos do cólera, pp.198)

É isso.

episódio II

Outro dia eu estava trabalhando, sentada com meus tubinhos cheios de pensamentos e um tantinho de urina. Acho que ninguém imagina o quanto esse tipo de trabalho põe a gente pra pensar. Nesse dia, especificamente, eu tinha mais urinas do que pensamentos e achei bom, pq assim me distrairia, as horas passam mais depressa. Menos filosofia, mais trabalho.
- 1,2,3,4 mil leucócitos e uns 200 mil de hemácias... deve tá com um pedregulho nos rins, coitado. - afasto o microscópio, coço o olho, próxima amostra e PLOFT: a luz queimou.
Não preciso dizer a quantidade de palavrões que eu falei, pq aquele é o microscópio que eu uso pra trabalhar desde o dia que eu cheguei, é o que eu estou acostumada e mesmo tendo outros 3 disponíveis, insisiti em trocar a lâmpada daquele que eu estava usando.
Achei a lampadinha na gaveta, e com todo cuidado fiz a troca. Eu já tinha feito isso outras vezes, então nem foi tão difícil assim. E volto a contar bolinhas, contar num papel o quanto a outra pessoa está doente. Olhando ali células de alguém que eu não conheço, sabendo antes dela mesma que remédio ela vai ter que tomar. Que tipo de medicina é essa, que não se olha na cara de ninguém, mas pode-se descobrir de um tudo da vida da pessoa? Perdida, completamente perdida nas minhas filosofias de madrugada, nos pensamentos de tubinhos, na musica cafona que as recepcionistas ouvem, começou o cheiro de queimado. "Ah não...ele não vai pifar..."
Sim ele pifou. O microscópio eleito, o que eu tive cuidado e preferia, mesmo sem ter testado os outros, agora estava cheirando queimado. Desliguei. Respirei. Não sei consertar microscópio e mesmo que soubesse não teria tempo pra isso.
Contrariada, tirei da tomada e enrolei o fio em volta dele, com tanta pena que parecia ter morrido alguém. Teria que escolher algum daqueles outros e depois de testá-los, peguei um menos pior. Até que ele não era tão ruim, a altura era boa, mas estava um pouco desfocado, tipo TV que não pega, cheia de sombras, tive que tomar cuidado pra não contar dobrado. E assim foi, durante duas horas seguidas, até que lembrei do condensador*.
Bastou um toque de leve pra descobrir que o melhor microscópio do mundo estava o tempo todo do meu lado, sua nitidez de imagem, sua luz branca, seu foco incrível. Se eu soubesse disso antes, já estaria trabalhando com ele há muito tempo e agora, eu não largo dele por nada.

Nunca imaginei que uma luz queimada me faria enxergar melhor =)

*Condensador: sistema de lentes que alinha e focaliza a luz da lâmpada sobre a amostra. Localiza-se na parte inferior da platina. ( olha aqui )

quarta-feira, dezembro 30, 2009

06:39 pm

Eu queria que fosse mais complicado, mas cada vez que eu olho pra tudo isso vejo que não tem nada demais, que não tem psiquê nem subconsciente. Nenhuma intenção escondida por trás de palavras meio-ditas. Nada. Você é igual aos outros.
O que aconteceu com seu beijo de efedrina? Quando foi que ele virou apenas saliva?
E por mais que eu não quisesse ouvir, eram os outros que estavam certos, em suas visões simplistas de quem está de fora. Eu briguei, eu não queria aceitar.
E os olhares acusadores eram como um tapa: "olha aqui sua burra!"
Eu quis te salvar dentro de mim, mas você morreu.
Desculpa.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Açúcar amargo

Melissa diz:
ohn
vc não tá bem hj mesmo né
rhony. diz:
nem um pouco
=s
Melissa diz:
será que eu posso ajudar?
rhony. diz:
vc ajuda existindo
Melissa diz:
amo vc.

E eu amo mesmo.